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sábado, 25 de dezembro de 2010

Diário de uma criança que não nasceu



15 de outubro – Hoje teve inicio minha vida. Papai e mamãe não o sabem. Eu sou menor que uma cabeça de alfinete, contudo sou um ser independente. Todas as minhas características físicas e psíquicas estão já determinadas. Por exemplo, eu terei os olhos do papai, os cabelos castanhos ondulados da mamãe. E isso também é certo, eu sou uma menina.

19 de outubro – hoje começa a abertura de minha boca. Dentro de um ano poderei sorrir, quando os meus pais se inclinarem sobre o meu berço. A minha primeira palavra será: mamãe.
P.S. Seria verdadeiramente ridículo afirmar que não sou um ser humano na minha essência, mas somente uma parte de minha mãe.

25 de outubro – O meu coração começou a bater. Ele continuara sua função sem jamais parar, sem descansar até o fim da minha vida. De fato é isso um grande milagre!

02 de novembro- Os meus braços e minhas mãos começam a crescer. E continuarão a crescer até ficarem perfeitos e fortes para o trabalho: isso requererá algum tempo, mesmo depois de meu nascimento.


12 de novembro – Agora nas minhas mãos estão despontando as unhas. Com minhas mãos apoderar-me-ei do mundo e participarei das fadigas dos homens.

20 de novembro – Hoje, pela primeira vez, minha mãe percebeu pelo seu coração que me trás em seu seio. Quem sabe a sua grande alegria!

28 de novembro – Todos os meus órgãos estão completamente formados. Eu estou muito grande.

12 de dezembro – Cresceram-me os cabelos e as sobrancelhas. Oh! Como ficara contente minha mãe com sua filhinha!

13 de dezembro – Logo mais poderei ver. Porem os meus olhos ainda estão costurados por um fio. Luz, cor, flores...como deve ser magnífico! Sobretudo enche-me de alegria o pensamento que deverei ver minha mãe...Oh! se não tivesse que esperar tanto tempo! Ainda mais seis meses...


24 de dezembro – O meu coração está pronto. Deve haver crianças que nasceram com o coração defeituoso. Neste caso precisam se sujeitar a dedicadas intervenções cirúrgicas para corrigir os defeitos. Graças a Deus o meu coração não tem anomalia nenhuma e eu serei uma menina cheia de vida e de força. Todos ficarão alegres com o meu nascimento.

28 de dezembro – Hoje minha mãe me assassinou!!!

(M.Schwab – Do livro – Diário de uma criança que não nasceu -)

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