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quinta-feira, 24 de março de 2011

A DIFERENÇA

A DIFERENÇA
POESIA DE EURÍCLIDES FORMIGA

Estudando a diferença,
À Luz da Divina Lei,
Entre orar e trabalhar,
A um amigo perguntei:
.
 Peço a você que me diga,
De uma forma resumida,
A diferença entre a prece
E o trabalho em nossa vida.
.
. Entre orar e trabalhar,
A diferença que há?!...
Ora, Formiga, meu velho,
É somente a letra a...

Ante o meu espanto imenso,
De vez que o assunto era sério,
Meu amigo se explicou,
Desvendando este mistério:
.
Se todo o trabalho é prece,
Atente ao que eu vou falar,
Que, em verdade, sobre a Terra,
Orar é também arar...

Pois a oração sem suor,
Não passa, às vezes, de um grito,
Que, ecoando pelo vale,
Não se escuta no Infinito

domingo, 20 de março de 2011

Epitáfio para o século XX

Aqui jaz um século
onde houve duas ou três guerras
mundiais e milhares de outras
pequenas e igualmente bestiais (...)


Aqui jaz um século semiótico e despótico,
que se pensou dialético
e foi patético e aidético.
um século que decretou
a morte de deus,
a morte da historia,
a morte do homem,
em que se pisou na lua
e se morreu de fome (...)

(Affonso Romano de Sant’Anna)

terça-feira, 15 de março de 2011

Mulher Cibernética


Minha mulher agora é cibernética
Em suas veias sintéticas corre sangue artificial para lutarmos juntos no dia a dia, sem o cansaço e desanimo natural.

Minha mulher agora é cibernética, cabelo de nylon, cílios postiço, não precisa mais ir ao cabeleireiro ao banheiro nem se maquiar, trocou o batom por uma pintura labial perolizada que nunca risca e o sorriso faz conforme a ocasião.

Minha mulher agora é cibernética, coxas torneadas milimetricamente que nunca conhecerão uma varize, bumbum artificial que nunca terá uma estria. Ela jamais precisara freqüentar uma academia, pois já veio personalizada de fabrica e com isso não terá problemas.

Minha mulher agora é cibernética, tem  GPS e Chip na mente, fala pouco e não mente, não assiste novela nem vai a shopping center.

Agora eu durmo solitário, não tenho com quem fazer amor, minha mulher cibernética está desligada. Que saudade da de carne e osso.

(Laerçon J. Santos)

O Pato De Botas - Visitantes de outro mundo parte 10

segunda-feira, 14 de março de 2011

Internet.


Net.

E a gente fica aqui, grudada no monitor.
Teclando, como se fosse um piano.
A música, vem da imaginação.
Nossas mentes são depósitos.
Depósitos de verdades, depósitos de mentiras...
Não importa quem sejamos.
Esse mundo novo, pelo menos iguala um pouco as pessoas,
embora ainda hajam muitos excluídos.
Mas a magia é tão grande!
Realidade, quase fresquinha.
Somos todos tão jovens ainda.
Aqui, o mundo é todo seu.
Clica aqui, clica alí,
e isso tudo, não fim.
Milhões e milhões de pessoas,
dando versões de versões.
As letras agora, falam demais.
As imagens, refletem demais.
E há sempre um jeito novo de uso.
A gente está sempre procurando um jeito novo
de dirigir a vida, de pensar sobre a vida,
de resolver a vida, e as inovações,
não param de chegar.
Desenhando sabores e dissabores,
vamos ver o que cada um de nós pode fazer
pelo mundo, pelo outro.
Dia e noite, noite e dia...
"Admirável mundo novo!".

Cecília Fidelli.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cães

Hoje eu vi num estacionamento de um supermercado uma cena que me fez refletir. Havia um carro luxuoso parado onde uma madame e seu marido que acabavam de fazer compras guardavam-nas no porta-malas do carro. O casal havia levado também a filha e um cachorrinho de estimação de raça que perambulava ao redor do carro enquanto seus donos se preocupavam com as compras. Nesse momento passava um cão vira lata pelo estacionamento e quando viu o cão grã fino veio correndo em sua direção e começaram os dois a brincar. Um pula daqui o outro dali, começam a se rolar no chão como se conhecessem muito tempo. Isso chama a atenção dos donos que partem para cima tentando impedir a brincadeira dos dois, mas não conseguem, os cães são rápidos demais, e se agarram, pulam e fazem uma bagunça danada. E ficam os dois ali, um cão todo refinado com pelos que são tratados nos melhores “cabeleireiros de cães”, e outro cão vagabundo que todo dia luta para sobreviver na miséria do mundo que vive juntos agora se fundem num único ser mental, pouco se importam com classes sociais , se consideram iguais, são irmãos, quem liga para classes sociais são os “humanos”, com os bichos não tem isso, todos têm um único nível “moral” e a classe que os humanos os põem pra eles nada significa.
            Irritados com a harmonia dos dois cães os donos pegaram seu animal e colocaram a força dentro do carro, mas mesmo assim pela janela o cão ainda latia e queria brincar, e o outro do lado de fora todo eufórico. O carro se afastou e o cão vagabundo ficou no estacionamento acompanhando o carro que saía, ameaçou correr atrás, mas desistiu.
Eu observei a cena e fiquei pensando, o ser humano é uma raça tão estranha que até o seu status de segregação social ele passa para os animais de uma maneira inconsciente. Como diz aquele ditado, quanto mais observo os homens mais admiro os animais.

sábado, 5 de março de 2011

Via Lactea XIII - By Olavo Bilac



Via Láctea XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso” Eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila, E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Transloucado amigo!
Que conversa com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só que ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Muitos críticos literários consideram esse soneto o “clássico dos clássicos parnasiano”. Quer nos parecer, de forma inescapável que Olavo Bilac nele inseriu, em sentido figurado, um passeio espiritual, de alguém que tem um bom sonho.

quarta-feira, 2 de março de 2011

By Blumen

Desenhista

Tanta vida

e alegria

Receberam

de tuas mãos

O bom humor

cotidiano

Encobrindo

lições

Riscos,

círculos

Branco e

preto

Preto no

branco

Espalhando

idéias

Encorajando

iniciativas

Enfeitando

vidas


(Wild Blumen)

para Laerçon J. Santos

Eu posso não ter conseguido muitas coisas grandiosas em termos materiais com minha fanzinagem, mas uma coisa que valeu a pena foram as boas amizades  e com elas poder de vez em quando receber umas surpresas como o poema a cima.
Muito obrigado minha amiga!