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sábado, 5 de março de 2011

Via Lactea XIII - By Olavo Bilac



Via Láctea XIII

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso” Eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila, E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Transloucado amigo!
Que conversa com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só que ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Muitos críticos literários consideram esse soneto o “clássico dos clássicos parnasiano”. Quer nos parecer, de forma inescapável que Olavo Bilac nele inseriu, em sentido figurado, um passeio espiritual, de alguém que tem um bom sonho.

Um comentário:

A wild blumen disse...

Sempre curti este poema, cantado pelo Belchior no século passado, antes que ele virasse o bigodon do pânico.